Certo dia encontrei alguém com um rosto familiar,
Curioso, lhe perguntei, "Com licença, nos conhecemos?",
Me respondeu, "Pois não, me chamo, Pedro."
Fiquei sem saber quem era.
Conteúdo e valor calórico: a) coisas relacionadas com coisas que não se relacionam e por ventura existe e misturamos; b) desejos de pincéis de pelo de camelo; c) programações para robôs edipianizados; d) trabalho árduo e dedicação à preguiça; e) devaneios poéticos piegas; f) palavras soltas, mal arranjadas, ou não: porcausa de agressão em corpo em cima de trabalho para me transformar em cobra, me desenruga toda minha pele, sendo que eu não mereço isso.
domingo, 5 de junho de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Hemorróidas e teoria da conspiração
Em 1954, um caso em especial virou a principal pauta entre os ufologistas do mundo todo: o famoso caso Russell. Contextualizando o episódio, uma nave alienígena teria sido encontrada em pleno deserto americano. Ela seria constituída por um metal dobrável, possuidora de uma propriedade nunca antes vista: após qualquer dobra ou amasso, ele retornaria ao formato original, logo em seguida. Tal nave e seus integrantes foram guardados na famosa área 51, pela CIA, organização que mantém em segredo as evidencias desse episódio e até hoje e nunca levou à público uma confirmação do fato. Contudo, extra-oficialmente, algumas declarações de pessoas diretamente envolvidas merecem atenção, algo que para alguns torna mais plausível acreditar na veracidade do episódio.
O primeiro é o testemunho do criador de gado John Mitchel, primeiro homem a encontrar a nave. Certa noite de agosto daquele ano, ele vira luzes no céu, e ouvira um estrondo muito grande, numa localidade perto de sua casa. John saiu com seu filho, e pode recolher ao longo do caminho, pedaços do metal supra citado. Esse metal veio a público apenas cerca de uma semana após, sendo exibido e filmado pela rede de tv local. Em uma dessas imagens, mostra John Mitchel com um pedaço de martelo, dando batidas fortes, e o metal voltando a sua forma original instantaneamente. A repórter Silvia Perry não contem sua surpresa e admiração, comentando que nunca havia visto algo parecido. Além do metal, o criador de gado fala sobre o que vira também: constituída desse tipo de metal, algo que parecia uma nave, em formato de cone (e não de disco como comumente se escuta dizer). Ela estava com a parte superior lançada cerca de três metros do que parecia ser a parte inferior. Dentro da parte inferior, três assentos ocupados por criaturas nunca antes conhecidas pelo homem: os alienígenas. Contudo, todas as três criaturas pareciam devidamente mortas.
John Mitchel logo compreendeu do que se tratava aquilo, e arranjou de levar um exemplar para sua, para tirar fotos e chamar seu amigo e vizinho Peter Odonell. Peter trabalhava junto com John em sua fazenda, exercendo o ofício de veterinário. Peter foi acordado à noite com um susto, ouvindo a movimentação intensa em frente a sua casa. Ouvira também o estrondo, contudo não saiu de casa para checar, pensando tratar-se de uma batida de trânsito, ou aviso de tempestade. Apenas com a chegada de John a sua casa, que pode tomar ciência da importância dos barulhos ouvidos anteriormente. Foi na mesa da sua cozinha que o primeiro alienigena, trazido por John e seu filho no teto do carro, fora examinado. Peter usou de seus conhecimentos veterinários para abrir a criatura e conhecer sua anatomia. Em alguns aspectos, segundo o seu testemunho publicado no livro "Autopsia de um alien", o alienigena parecia com um homem. O corpo com dois braços e pernas, aparentemente projetados para um andar bípede, e uma cabeça avantajada, mostrando algo que talvez reflita um enorme desenvolvimento do sistema nervoso. Contudo, o coração, como foi observado mais tarde, se fazia ausente. O que fora encontrado foi um sistema vascular, e todo ele rico de pequenas bombas durante os tratos venosos e arteriais. Tal anatomia seria uma das explicações para as prováveis causas para aquilo que pareciam sinais de hemorroidas. Em um orificio que parecia ser usado para evacuação, havia sérias dilatações, similares a varizes. Não se sabe contudo se tal problema de saúde é pré-viagem interplanetária, ou isso se deu por longas horas de viagem. Contudo, Peter Odonell, posteriormente, em seu livro, considerou a ausência de gravidade, longas horas de viagem sentados não seriam tão problemáticas.
Hoje se sabe porém que desde as idas do homem para o espaço, a ausência de gravidade acarreta uma série de problemas de saúde para os astronautas. A perda de massa é a mais comum, mais dentre elas, é a dilatação de vasos sanguíneo que destaco. Um dos momentos mais críticos é a entrada na terra, momento o qual se estabelecem uma volta repentina à gravidade terrena, e assim, os vasos antes ddilatados, sofrem uma tensão, originando assim varizes pelo corpo. A velocidade de entrada na atmosfera terrestre, gera uma força contra o assento, que aumenta o peso do astrounata, e assim a tensão nos vasos da parte anterior do corpo. Alguns astronautas, que já sofriam de hemorróidas anteriormente, relataram a piora do quadro após a viagem espacial, pulando do Grau I, para o Grau III ou IV. Sendo assim, especula-se que os aliens encontrados na nave tenham sofrido de algo parecido, contudo, os tecidos aparentemente mais frágeis que os dos humanos, possam ter colapsado a vida destes seres. É possível então suspeitar que essas varizes pelo corpo tenham sido sua principal causa mortis.
Peter passou cerca de sete dias com o corpo em casa, em segredo, na mesa de sua cozinha. Além de John e sua família, apenas Mildred Odonell, sua esposa, sabiam. A reportagem para a TV local realizou suas filmagens apenas na área da queda, e foram chamados pelo próprio John Mitchel. Contudo, os corpos dos aliens já não mais estavam lá. Além daquele que estava na casa de Peter Odonell, os demais já haveriam sido levados pela CIA no dia seguinte. Apenas com a reportagem que a organização ficou sabendo que tal evento houvera sido conhecido por civis, e eresolveram visitar criador de gado e seu vizinho. Levaram então o corpo e as amostras de metais recolhidas. É importante colocar aí a certa mitologia que se criou em volta desde então, ainda que hoje não haja prova material exposta ao grande público. Quando as autoridades irão se pronunciar? Ou as autoridades americanas estão velando algum segredo maior para a proteão de todos nós? Ou então, nada disso jamais aconteceu? Só nos restas teorias várias.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Notícia
A verdade é que, como muitas outras coisas em minha vida, não sei dar uma notícia, senão apenas pego-a pelo meio. Há algo a ser contado, definitivamente, isso eu o sei, contudo não contá-lo já em seu princípio até aquilo que deve ser escrito, ou melhor, fazer um devido começo com toda a sua esmerada assertividade, preparando tudo para que a história aconteça e nos leve atravessando do ao seu meio e fim, cumprindo enfim sua missão; isso eu não sei. Não é muito diferente quando se dá um aviso. Não sou daqueles que dizem que tem uma noticia ruim, pedem para sentar, enrada inicialmente o faticídio, para então, jogar de maneira suave aquilo que desde o começo se esperava. Sou daqueles que dizem dando uma lapada, colocam sem cuspe, e fazem os outros caírem por não estarem sentados. Mas me compreendam, não por maldade ou nada disso, apenas porque não sei por onde começar. Definitivamente há algo a ser contado, mas não saberia dizer-lhes qualquer coisa a mais senão aquilo que há de ser dito. Sei que de fato, como se diz as palavra, a ordem em que se diz essas palavras, mudam aquilo que se diz. Por isso, acredito eu, quero menos responsabilidade possível naquilo que se diz, senão colocá-las da maneira mais direta que posso, a modo de me livrar delas. Uma notícia ruim como a que tenho para dar-lhes, não merece qualquer introdução vigorosa, rodeada, floreada, pois afinal nada há de bom nela. Pedir para sentar-lhe é diminuir justamente o choque que ela poderá causar e isso tampouco é o que desejo. Não quero que se sintam bem com uma noticia ruim, quero que sintam-se mau, preoucpem-se pois é importante que haja pena, que haja sofrimento, pois só assim, compreeder-se-a tal notícia em sua importância. O que quero dizer é que os floreis, os pendurecalhos, os arrodeios, facilitam uma coisa que não é para ser facilitada. São apra os cardíacos e mulheres grávidas. Se estás enquadrado em algum desses, pergunto, estás sentado?
domingo, 17 de abril de 2011
Pé-de-aço
Um grande robô, meu brinquedo de natal. Nada aconteceu, pedidos feitos em vão. Apenas pedaços: "Só tinha esse resto na loja.", disseram. Uma perna de plástico, do tamanho de uma perna de criança de 5 anos, com um pé de aço que calçava 45. Isso é lixo, disse mamãe, Isso é tudo, disse papai, Isso é um pé-de-aço, disse eu.
Meio criança, meio adulto; meio humano, meio robô; meio amigo, meio inimigo; um pé inteiro, um robô pela metade. Era o meu brinquedo: Esse é o meu pé-de-aço!, exclamei. Pisada forte, firme, bico bom, peso de papel, para muitas coisas meu pé de aço seriam boas - completava em mim.
Vou jogar fora, disse mamãe. É melhor mesmo, disse papai. Escutando de longe a conversa que acontecia na sala, "Chuto quem tentar", pensei eu. Estava armado o conflito, meu pé protegido no quarto, enquanto mamãe na sala, termiando de arrumar, para ir logo lá, e papai assistindo tv, mas sempre alerta: ao menor sinal de conflito surgiria como reforço - do lado inimigo - Temos que sair daqui! Logo! Peguei meu pé-de-aço, corri. No quintal, havia de protegê-lo. Observei a movimentação da casa pelas janelas, via mamãe buscando entre os cômodos a mim e ao meu pé-de-aço. Ouço o meu nome e logo em seguida, cadê você?, em tom ameaçador.
É preciso preparar uma estratégia de defesa, pois mamãe há de chegar, invadindo o quintal com seus reforços. Ela fala alto para papai que está na sala: "Ele está lá fora, vai pegar aquele lixo dele". Olho para o meu companheiro o pé-de-aço. Escondo-me nos entulhos, antes que cheguem. Misturamo-nos entre pedaços de outras coisas em um quartinho nos fundos do quintal: madeiras velhas e estragadas, pedras de cimento, pregos e ferros enferrujados, bichos e besouros.
Está escuro, a noite chegava, e o inimigo não dá mais sinal. Despistamos, pensei. Não há luz no quartinho do quintal, em meio aos entulhos. Meu pé de aço brilha entre o lixo, ali, sem dúvida ele é o rei. Os bichos fazem seus barulhos, e logo as baratas tentam ganhar território. Nunca estaremos livres. Meu pé de aço pisoteia-as. Parece que sempre esteve preparado para isso. Luto insistentemente, quando um inseto entra por baixo da camisa. Tiro-a, e logo meu pé-de-aço, companheiro de batalha, salva minha vida, jogando-se em cima dela, em uma pisada forte!
Se fosse vivo certamente seria um nobre. Falaria com honradez. Me agradeceria por protegê-lo. Me convidaria para o seu castelo, faríamos uma festa. Lembraríamos das aventuras que tivemos. Agradeceria-me por servi-lo tão nobremente. Agradeceria-me por levá-lo ao seu reino. Dormiríamos. Acordaria no dia seguinte, com o espírito preenchido e preparado para novas batalhas. Me diria que não poderia ir, que tinha um reino para governar. Me diria que poderia visitá-lo. Nos despediríamos em uma solenidade, mas como velhos amigos.
Entro em casa, meu pé-de-aço fica em seu reino de entulhos, com uma batalha constante a ser vencida contra os inimigos artrópodes. Papai pergunta onde estive e digo que ele não entenderia. De fato, não entenderia. Mamãe pergunta pelo meu pé-de-aço, e falo que ele está onde tem que está. Lembro-me do meu amigo saudosamente, com respeito e admiração. Em seguida, mandam-me tomar um banho. Preparo-me para uma nova aventura.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O Diário do viajante perdido: um encontro com o povo Irere-oe*
*Reportagem extraída da revista "Aventuras na História", edição 094, maio de 2011, editora Abril. Escrita pelo jornalista Caio Bezerra Silva.
Data do ano de 1997 a descoberta do conhecido "Diário do viajante perdido", quando pescadores da "praia do futuro", Ceará, por acidente, descobrem na áreia, dentro de uma combuca de barro, tais escritos. Na combuca, como viria dizer a historiadora Maria Cristina Figueiroa, professora efetiva do departamento de história da UnB, era claramente indígena, típico dos povos irerê oê, que numa tradução livre, viria a significar povo pé de maré., dizimados antes da chegada dos portugueses por outros povos. Ainda não se tem uma data determinada para a época em que fora escrito, contudo apenas se sabe que antecede cerca de 200 anos a chegada das embarcações de Pedro Álvares Cabral, o que apenas torna o diário um achado ainda mais interessante e relevante para o estudo do Brasil pré-colombiano. Contudo, o maior mistério que cerca tal obra é o seu autor. O texto está escrito em latim, de autoria de aparentemente um monje beneditino. Em nenhum momento fica claro a nacionalidade do autor, tampouco como ele chegara nessas terras que num futuro longíquo viria a ser dominada pelo homem europeu. O escrito parece estar faltando algumas partes signifitivas, que facilitem o entendimento ou o trabalho dos historiadores, contudo, o que há de mais relevante no texto são alguns dos relatos do monje sobre os povos irerê oê. O autor, ainda que não fosse um pesquisador, preencheu seu diário pessoal de observações a cerca do povo indígena, e o estranhamento com a nova cultura que entrava em contato, tornando-se me alguns momentos relatos ricos em detalhes sobre os hábitos e costumes do povo da praia. Em alguns momentos, há a tentativa de reproduzir os sons da língua indígena, no alfabeto europeu, assim como os curiosos relatos sobre os hábitos sexuais dos pertencentes da tribo, seus rituais de guerra e culto adivindades sagradas: o Iurarê, o que seria o espírto da maré encarnado no corpo do chefe da tribo, e o Maptchumbare-oê, o espírito do chão encarnado em todo o povo da tribo, que daria força ao Iurarê, como seria explicado no diário.
Ainda em estudo, e não totalmente traduzido, em entrevista com a chefe do Núcleo de Estudos Pré-Colombianos, a professora Maria Crsitina Figueiroa, traz alguns trechos de algumas revelações que podem proporcionar um novo entendimento sobre o povo Irerê-oê, sobretudo, sobre o seu declínio. Contudo o diário ainda é considerada uma fonte histórica incerta, pois não conseguiu-se ainda definir uma época específica para a origem do viajante do diário. Assim como não há o conhecimento de qualquer outro relato sobre tal viajante, a não ser tal escrito. Afinal de contas, quem é esse monje? "Não sabemos. E o texto com muitas partes faltando, muitas pelo tempo que se perderam, é um texto que não tem uma continuidade e assim fica muito dificil de haver um entendimento único.", diz a historiadora. O texto escrito em latim dificulta ainda mais saber a nacionalidade de tal turista, contudo, o que acredita-se, é que ele seja um náufrago da terceira embarcação francesa, que aventurou-se a navegar pela costa do Noroeste da África.
No período de 1300, a 1400 aproximadamente, há o registro da tentativa secreta da Igreja Católica de aventurar embarcações por essa área, em busca do que pode-se chamar uma cruzada ao oeste. Todas elas mal sucedidas, levando a um abandono abrupto de tal empreitada, com o fortalecimento dos estados modernos. Sabe-se que tal embarcação perdera-se, acreditando que tenham se afastado um pouco mais a oeste do que imaginara-se, e se chocando com os rochedos da "Falha geologica da Calmaria e Boa ventura", no oceano Atlântico. O monge teria ficado a deriva no mar, e chegado a então praia desconhecida pelo homem branco, inexplicavelmente, vivo. A data estipulada pelo teste do carbpono 14 é aproximada com a data da embarcação, assim como são essas as únicas embarcações européias que tentaram se arriscar para esses lados no período. Fala-se que muito dos mitos conhecidos sobre o fim do mundo à oeste, passaram a existir de tais fracassos marítimos, enriquecendo o imaginário da população medieval.
"O que há de mais importante neste diário, são os dados fornecidos para o entendimento do fim do povo Irerê-oê. Quando nosso viajante chegou aqui, eles já se encontravam decadentes." A pesquisadora se refere ao longo período de guerra entre outras nações indígenas, a fome e rituais sanguinários. A região da praia não vinha sendo próspera, assim como a principal característica desse povo, o nomandismo, levavam a constante mudança de território e ao encontro com outras nações, sendo eles, muitas vezes, encontros sanguinolentos. Contudo, jamais podem ser caracterizados como um povo imperialista, ainda que nas guerras, quando vencedores, havia a aniquilição total dos inimigos e, como de costume, a antropofagia. Raramente havia alguma aquisição ao costume de outra cultura. A cultura oral e a caracteristica de ser um povo fechado ajudou para que se soubesse menos sobre esse povo, e por isso a importância do achado histórico. Ao que parece, não terem matado o monge foi algo incomum, contudo acredita-se que o fato de o terem achado vindo do mar, o povo o deixou conviver entre eles, mas nunca como um igual. A religião de cunho animista, endeuzava, entre outras coisas, a dinvidade do mar, e ao monge fora dado um nome relativo ao mar, apesar dele jamais ser escrito no diário. "Ele fala em certo momento que o chamam por um nome que ele não consegue repetir. A língua das pessoas da praia é composta por alguns sons guturais, e que as deformações infrigidas na língua, tornam impossível para o monge depronunciar. ... Em certo momento ele tenta criar uma escita para a lingua do povo, mas é algo muito limitado, havendo apenas os caracteres que soam iguais as letras do alfabeto europeu.".
O período que o monge chega, é justamente em um momento em que o povo Irerê-Oê, após um conflito violento com os guaranis, movem-se para um outro território, totalmente desconhecido, para logo irem de encontro a uma outra nação. É preciso antes colocar que mesmo nomades, os Irerê-oê transitavam por um território o qual se repetia: após sair de algum lugar, poucas vezes iam a algum lugar novo, senão voltavam a algum lugar que já estiveram. "Sabe-se que há algo de sagrado na peregrinação desse povo, pois voltar a terra anterior era o reencontro com os antepassados e as divindades da natureza. Era voltar a região das falésias, ou ao arvoredo sagrado, todos lugares os quais se ligavam histórias míticas e reais de lutas dos antepassados e divindades. Isso também explicaria alguns empreendimentos imperialistas dos Irerê-oê, quando no encontro com outras nações, a retomada do território antigo era um momento em que havia a transfiguração e alcançava-se a divindade. Eles então mantinham sempre um movimento que parecia um zigue-zague, abandonando o território para reencontrá-lo e reconqusitá-lo", fala Maria C. Figueiroa. A aniquilação do outro povo, dava-se na medida em que se estipulava o sagrado, tranformando a guerra na principal forma de encontro com o sagrado. Contudo, a violência frequente os levou também a um período de decadencia, pois as constantes guerras e conflitos os levaram a sua miséria economica e humana, dado os altos ínidices de mortalidade.
A chamada hoje praia do Futuro então marcou o encontro de um povo derrotado, em pleno colapso, com um estrangeiro, vindo da principal divindade, o mar. Em nenhum momento o monge parece reconhecer tal tipo de movimentação nômade, senão relata em detalhes o seu assombro com os rituais infrigidos a alguns dos Maptchumbare-oê, pelo Iurarê. Dado as derrotas constantes, o Iurarê, a dinvindade do mar encarnada no chefe da tribo, tinha o poder para reclamar mais corpos, aqueles que não forma ganhados no conflito. Quando vitoriosos, os corpos ofertados eram os dos outros povos, aniquilados. Contudo, quando derrotados, haviam de oferecer corpos de seus proprios integrantes, dos Maptchumabare-oê, o que consistia em esquartejar alguns e jogá-los ao mar, e outros, servidos para que o Iurarê o comesse. Sua alimentação era basicamente antropofágica, diferentemente do Maptchumbare-oê, que viviam da caça de animais e colheita de plantas e frutas nas matas. Após a digestão, as fezes do Iurarê eram levadas ao mar, quando não usurpadas pelos demais integrantes da tribo, que as enterravam ou comiam, na tentativa de conseguir mais força e poder entre os Maptchumbare-oê. Completa a pesquisadora: "Ser forte para os Urarê-oê significava sobreviver à guerra ou a fome insaciável do seu chefe e sua divindade, basicamente." Para um povo que já havia sido derrotado, e sofrido os pesares de constantes guerras, havia uma chacina ainda maior dentre os seus semalhantes, enfraquecendo-os ainda mais enquanto nação.
Os hábitos sexuais das tribos também são parte do relato, havendo uma descrição minuciosa da tradição de iniciação sexual das mulheres, quando eram defloradas pelo Iurarê, na medida em que os Maptchumbare-oê assistiam. Para depois, no mar, mergulhar e engravidar. Acreditava-se que era necessário ter relações sexuais com vários homens para que a criança nascesse completa, sendo filho assim da nação. As relações de parentesco modificavam-se, não hevendo um reconhecimento de quem era pai ou mãe, senão todos cuidavam de todos. Entre os Maptchumabre-oe não havia diferença alguma. Haviam apenas aqueles que eram considerados mais fortes e os considerados mais fracos, mas todos se encontravam no mesmo nivel social. Tal como outras nações indigenas, as crianças eram criadas por todos, e todos viviam nos galpões ciruclares comunais, erguidos com palha de coqueiro e madeira. As crianças, por volta dos doze anos eram considerada adultas, e seus pais tinham a obrigação de cortar-lhes a língua com dentes de tubarão, birfucando-a, em sinal de que não era mais criança.
O monge coloca que é comum ele passar muito tempo com as crianças, e que por isso, por também não ter a lingua bifurcada, vive como uma criança na tribo. Estas são protegidas, não sendo entregues ao Iurarê como um corpo ofertado, tampouco levadas aos conflitos com outras nações. Portanto, o monge esteve longe dos conflitos a maior pate do tempo, e apenas vivenciou a guerra quando uma nação guarani avançou sobre a localidade da tribo em que estava, havendo várias mortes, inclusive de outras crianças. Foi neste momento que descreve o primeiro ccntato ocm os rituais preparatorio para a guerra, quando se fabricavam armamentos e realizavam mais sacrifícios. "Há um trecho no diário que o monge descreve seu horror com aquele povo indigena, que mesmo havendo lhe acolhido, e mostrando um espírito cristão em germem, em tantos momentos, referindo-se a partilha comum e ao que chama de caridade, exibem uma verocidade demoniaca no que diz respeito aos hábitos relacionados a guerra."
A aniquilação do povo não se sabe ao certo, apenas que desapareceu completamente enquanto nação num intervalo de menos de cinquenta anos após o chamado início do período de decadência. Contudo, muito se deu mais pela dispersão e adesão a outros povos que por uma aniquilação total em conflitos armados. A fome insaciável da dinvindade do Iurarê também causavam fugas e abandonos dos Maptchumbarê-oê. Por fim, o relato desse viajante inusitado é abruptamente acabado, dado sua incompletude, não sabendo ao certo qual fora o fim de tal europeu perdido nas praias brasileiras pré-colombianas. Contudo, sabe-se hoje da importância desse diário para o entendimento de vários hábitos e fatos históricos do povo Irere-oê, sem o qual estariam perdidos. Perguntado a chefe do Núcleo de Estudos Pré-colombianos, quando esse diário será totalmente publicado então? "É importantíssimo que publiquemos esse diário, é um achado sem tamanho para a história do Brasil; contudo, é preciso ainda que haja mais pesquisa - ainda não terminamos de traduzí-lo todo se quer, e uma publicação só será possível quando este trabalho de tradução e estudo estiver concluído. Mas garanto, não demorará mais tanto." Esperemos então.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Dos nomes indesejosos
Rivaldo ganhou esse nome por causa do jogador, pai fanático por futebol e mais ainda pelo Santa Cruz. Quisera homenagear o futebolista que jamais conhecera pessoalmente. Havia ainda uma outra segunda tentativa de fazê-lo, o filho, um outro jogador de sucesso. Para decepção do pai, o filho nascera sem aquilo que se chama corriqueramente de talento. Se havia alguma semelhança com o jogador eram as pernas tronchas, que inclinavam levemente para a esquerda. Mais do que uma hablidade especial, as pernas eram motivos para muitas quedas e passes errados. Contudo, se não foi para o futebol que Rivaldo nasceu, certamente haveria de ser para outra coisa que não esportes. Primeiro por que futebol era o único jogo permitido por seu, pai, qualquer outro era motivo para que se questionasse a masculinidade do menino. Não que ele não tenha tentado o voleiball na adolescência, mais tarde, mas não sem sentir algum tipo de atração pelos colegas do time. Isso o pertubou um pouco e terminou por desistir, foi na época que decidiu-se fazer vestibular para direito. Contudo, antes, ainda na infância, chegou a fazer escolinhas de futebol, e participar de avaliações de olheiros do Santa, contudo as semelhanças das pernas tronchas e no nome não foram suficientes para encantá-los. Ficara triste na época, pensara que decepcionara o pai, o de fato o fizera. Depois desse episodio, o pai desistiu das ambições futebolistícas para o filho. Mas esse não foi o único fator, senão a chegada do seu segundo filho, irmão mais novo de Rivaldo, Ronaldo.
Ronaldo era, como todo segundo filho, aquele criado sem os erros do primeiro, acreditara o pai. O menino nasceu sem as pernas tronchas, o que pareceu um bom sinal e logo após dar os primeiros passos, o pai já colocava a bola para ele chutar. Acontece que Ronaldo, nessa época, se interessava mais em pegar a bola com as mãos para levá-la a boca, que chutá-la novamente. O pai pensou, "Ronaldo é nome de jogador de linha, mas se for pra ser goleiro, não vejo muito mal nisso, pelo menos ainda via ser jogador". No outro dia, o pai comprou-lhe luvas, grandes ainda para a sua idade e colocou no seu quarto. Ronaldo crescera muito e as luvas ainda não cabiam adequadamente na sua mão. Ronaldo fora uma criança que gostava de brincar, de correr, de pular, mas não com bola. Tinha um hábito até os quatro anos mais ou menos de colocar pedras na boca. Isso lhe ocasionou muitos vermes, e foi se tornando uma criança miúda, pequena, raquítica. Não cresceu adequadamente, e ficou pequeno para a decepção do pai, que ambicionara um goleiro. O menino porcausa do tamanho, quando ia jogar, ou não era escolhido, ou era derrubado facilmente pelos outros garotos. Começou a ficar com medo do jogo, de ser derrubado pelos outros meninos, o que lhe causou uma certa ojeriza a essa paixão nacional. Quando foi colocar o menino para fazer o teste para ir para o Santa o olheiro não o deixou jogar. Disse que era para crianças maior de dez anos. Ronaldo respondeu, tenho 10 moço, mas ele já havia lhe dado as costas. Após esse dia, Ronaldo pediu desculpa para o pai, e cresceu um pouco mais na adolescência. Tentou continuar no esporte apenas como hobby, também para não decepcionar o pai completamente, como fizera Rivaldo, mas de fato nunca quis seguri essa carreira. Já adulto sabia que não fora premeditado colocar pedras na boca, mas se soubesse que isso iria lhe ocasionar o abandono do futebol, teria feito novamente. A noite, as vezes, ainda podia sentir o estalar das pedras no dente, não sem um estranho sentimento de saudade. Pensava consigo:"O gosto da infância".
O pai, desgostoso da vida, após Ronaldo ser rejeitado pelo olheiro, passou a ter um plano meio delirante, de ter novamente um filho, um terceiro, que não lhe decepcionaria nos quesitos futebolísticos ideais. Consultou a numerologia, para saber o nome ideal: um nome certo o qual selaria o destino daquela criança no sucesso inescapável - Edson Diego. Se assombrou com o Diego, dissera-lhe ao numerologista, mas se era para que não houvesse erro, o faria de bom grado. Unir forças antagonicas pode ocasionar uma grande explosão de talento, pensara consigo. Engravidou sua mulher, esperou algum tempo, e no primeiro ultrasson, aos 4 meses, o médico anunciou:"É menina". A mãe falou: "vai se chamar Isadora, como a bailarina."
sexta-feira, 11 de março de 2011
do fim do personagem
É irrelavante a maneira de que se começa uma história, se antes sabe-se já como terminará. Uma história finaliza-se com a morte de seus personagens, digo, as que em geral se contam, tradição grega, ou talvez a morte de alguns, aquilo Medéia nos resume e ajuda: quando não há mais nada que se possa fazer. Fim, morte, num sentido mais latu, que nega qualquer outra possibilidade a nós e, mais ainda, aos personagens. Se contarei uma história trágica ou não, acredito que, contudo, conjunção adversativa preciosa esta, o percurso que nos levará ao seu desfecho, as estradas tortuosas, há de ter algum valor, que ao menos nos prenda por alguns momentos, antes que nos encontremos com o que há de fatídico. Contudo, a cada página, parágrafos que se passam se contam as palavras que ficam para trás, e nos envolvem naquela trama e teia, em que após algum tempo, grande ou pequeno, após nosso envolvimento, o autor nos brinda com o inevitável: o fim. Certo em toda história, nos é certo, tal qual a condição humana, que tudo se acabe, e aquele breve mundo fictício, construído por palavras encaixadas tal como um prédio, se desmorone ao ser fechado o livro. Acredito eu, que o fim trata-se sobretudo de uma briga de seu autor com aqueles personagens, uma vez que é impossível para eles escreverem mais. Há os autores que não conseguem matá-los, mas tampouco terminá-los, abandonando-os, e delegando o seu fim a própria incompletude: K. nos um é exemplo caro. Contudo nos deleitamos mais com a morte alegre e saudável das tragédias, que nos preenchem a alma a séculos, de pessoas que comem seus filhos, o suicídio, ou mesmo o parricídio, colorindo nosso imaginário, com pé no romantismo, dizendo-nos que é isso que nos espera, nada além do desígnio dos deuses.
Dada uma introdução sobre o fim, inicio contudo minha história, a qual vocÊs já devem antever um fim possível. Haverá morte. Talvez algum filho (gosto de Medéia), pois como autor, ainda não decidi meu personagem, ou mesmo qual será o seu drama. Contudo, já vejo linhas se formarem, num arranjo que apenas espera pela sua mote precoce, algo que me parece apenas indicar a resistencia própria para que eu escreva. Afinal, um inicio, apesar de um inicio real ja dado, ainda falta nesta historia a qual apenas antevemos o fim. De todo, não haverá pele de velocino dourado, olhos furados, amores de famílias rivais, herdeiros de tronos que se veem fantasmas, baratas gigantes, pessoas em geral. Apenas um personagem, sem nome e sem história, que apenas espera sua morte.
Se a sua vida, digo, a vida de um personagem, entendida enquanto o periodo que dura a relação com o seu autor, terá algum designio, ou aidna algum arco dramático, se aprenderá uma lição de moral, nada disso nós saberemos, pois o niilismo do autor nega-lhes a vós leitores, o direito a saber. Ou melhor, nego-lhe, ao persongem uma vida, pois só lhe desejo a morte. É esse personagem, o qual não existe, ou existe na negação de uma história, que encontra-se cerrada a tragédia. Como pode haver uma história, de morte, sem a vida. Quero apenas relatar a morte do personagem, e não a morte como personagem, contudo, apenas falar-lhe a morte, sem conceder-lhe um momento de vida.
Não posso começar falando que em um caixão cinza se encontrava F. Morrera assassinado, nunca ligara para a saúde, ainda que vivesse no século XXI. Fora advogado, pai de alguns filhos, nunca assumiu nenhum, e um lhe matara, o terceiro. Estas palavras já lhe falam da vida, da vida deste personagem ao qual tentei negar-lhe um nome e substitui, arbitrariamente por uma letra. Tarefa destinada ao fracasso. F. é um nome, se está foi a história da vida de F., a história da morte de F. ndefinitivamente não e sabe, só se sbae na medida em que F. não existe. Por isso apenas falei do final. F. não existe. O que existiu dele, já começo a desgostar, e quisera nunca ter escrito algumas palavras que o fizeram existir. Já desejo matá-lo, e como um todo, não ao meu personagem apenas, senão ao seu filho, o assassino, e qualquer um dos outros filhos que F. jamais assumira por preguiça deste autor em criá-los e conceder-lhes alguma vida. Já desejo o fim disso, talvez vocÊ queria criá-los. Eu não.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A qualquer momento: nós, os incorrigíveis.
Hoje, se falarmos que a preocupação dos cidadãos da cidade de São Paulo da segunda metade do século XX era o trânsito e a progressiva paralisação completa que impediria o deslocamento, assim como um dos principais causadores de mortes e verdadeiras tragédias, nos parece algo absurdo. Preocupação essa que rondava o mundo, e sobretudo, as principais cidades do mundo. É possível ver no filme de um cineasta francês, Jacques Tati, lançado comercialmente no ano de 1971, filmados a moda antiga, com câmeras e atores reais¹ cena que anunciava tal preocupação: as pessoas não conseguiam andar com seus carros devido ao intenso trafego de veículos, saindo então todos e indo andando entre os automóveis. Cenas como essa, quando assistida em seu tempo, encontrava-se enquanto semblante da sátira social até meados da primeira metade do século XXI. Observe como o crítico não muito ilustre Jean-Marc Badabie defende o valor artístico da cena através da sátira social, em artigo publicado na revista "Carrihers du cinema" (1971, p.72): "A cena final, emblemática, relevante pela sátira social, revela a genialidade do cineasta no uso de planos contínuos e humor, preconizando assim, o futuro drástico - ou a presente necessidade de freios para evitar o choque e a paralisação total." (1: apesar de indiscutível progresso nas técnicas de produção e de linguagem cinematográfica, a película remonta à técnica desse passado, que hoje, já inexistente, torna-se incessível para o público geral, além de completamente desinteressantes para aqueles que não assistem acompanhados da curiosidade típicas daquele que buscam a um documento histórico. É importante ver como obras de arte, ligam-se com seu tempo, assim como, sobretudo, o valor artístico; contudo, essa é outra tese já bastante discutida, que, se possível, e não havendo colapso total da nossa sociedade, pretendo desenvolver em outro texto dedicado ao tema).
Apesar dos elogios, hoje, descontextualizada, é uma cena chata, que não gera humor por completa falta de diálogo com o público. Contudo o que não esta em questão é o valor artístico do filme, mesmo que este tenha mudado (se algum dia já teve), senão a ilustração do tempo e os hábitos que mudaram por completo desde a criação do teletransporte. Vemos no filme a ilustração do momento histórico em que se pensava a criação de alternativas para que a produção não parasse por completo. As cidades encontravam problemas de poluição (algo que não mudou desde então), longas horas de trafego intenso, e sobretudo, as pessoas se atrasavam, tendo como desculpa mais freqüente, o transito. Esta é sem dúvida uma desculpa válida naquele tempo. Hoje, com a comercialização indiscriminada dos iTransports, criação sem dúvida nada menos que revolucionária, já foi visto como alternativa definitiva para todos os problemas relacionados à locomoção e deslocamento no espaço. Contudo, como falamos aqui de comportamento humano, o que se observou ao longo dos cinqüenta e dois anos desde a sua criação, foi o progressivo aumento de atrasos e cancelamento de compromissos, multiplicando e isolamentos cada vez mais freqüentes: o número enorme de pessoas que não saem mais de casa se prolifera por todo o mundo, deixando de ser uma prerrogativa japonesa. Pessoas mais idosas, que cresceram ainda na época dos automóveis ficam abismadas ao verem as ruas vazias. Falam de seu passado como tempos gloriosos, em que o ar havia mais fuligem e barulho de pessoas nas ruas. Hoje tudo o que se escuta é o vento e o ranger das estruturas dos prédios decadentes que faltam manutenção.
É preciso antes, citar o extenso estudo realizado pela empresa da Apple, criadora dos iTransports, que após a colocação do produto do mercado e sua completa difusão, sendo adquirida pelos governos, primeiro os tigres asiáticos e países africanos, que foram usados enquanto cobaias², observou e um estudo extenso feito em mais de 2 anos de pesquisa o motivo o qual, apesar dos imediatismos, os atrasos e abstenções de compromissos foram registrados nas empresas um acréscimo, completamente diferente do esperado. A idéia lançada inicialmente pelos detratores dos iTransports, e rapidamente difundida, era a de que o transporte não era imediato, senão havia algum delay na viagem, e por isso os atrasos. Aliava-se a isso as freqüentes queixas de que não era uma viagem segura e causava enjôo em algumas pessoas. O boato se difundiu rápido, havendo uma diminuição significativa no uso e na venda em relação ao ano anterior, que gerou a necessidade de um estudo que comprovasse justamente o contrário. O enjôo causado foi logo justificado, devido ao espectro de luz que era emitido. Tal estudo propiciou a mudança para os modos UV, ou UVB ou o RED-UVB, que torna a viagem mais confortável e menos enjoada (contudo, as acusações de exposição de longo tempo ao aparelho causa câncer no olho ainda se sustentam). (2: é importante destacar que, apesar da completa segurança que estes aparelhos divulgam, e da confiança que se tem hoje no aparelho, houve uma resistência no mercado de países com índices de escolarização mais altos em suas populações, dentre as principais suspeitas: 1)câncer; 2)desaparecer; 3) o perigo de se fundir com uma mosca ou algum outro corpo que se colocasse junto; 4) aparecer em algum lugar indesejado, 5) haver órgãos em lugares errados no deslocamento; 6) viajar através de uma outra dimensão, havendo a possibilidade de liberar maus que destruíssem a Terra; 7) a viagem causar enjôos; 8) a ruína das grandes empresas de automóveis, empreiteiras e construtoras de estradas, pagando aos governos para a proibição do produto em seus países. Muitas das suspeitas confirmaram-se, mas não houve, contudo, um impedimento para a difusão do equipamento, sobretudo, após ao desenvolvimento econômico rápido que o continente africano sofreu e ao colapso das empresas ligadas aos transportes e criação de estradas.).
A acusação mais grave, referente aos atrasos, foram investigadas, onde foram levantadas inicialmente duas hipóteses, as quais estariam todas elas ligadas a problemas do aparelho: 1) apesar de o delay não ser observado no momento em que o equipamento é novo, aparelhos mais antigos produzem esse delay, devido ao desgaste rápido das cápsulas de lítio; 2) o delay acontece devido a proliferação dos aparelhos e as linhas de transmissão via vácuo congestionam-se, havendo diminuição do fluxo de informações e células humanas. A segunda, mais assustadora para os pesquisadores, preconizava a volta ao trafego intenso e transito, o que os iTransports vieram substituir e extinguir (quem não se lembra do slogan: "O Agora nuca foi tão imediato!"). Reduzirei os aspectos técnicos das pesquisas, apenas destacando seus resultados finais. Para a refutação da primeira hipótese foram recuperadas amostras de aparelhos dos primeiros lotes vendidos, onde se constatou que as cápsulas de lítio encontravam-se conservadas, mostrando-se inclusive, inúteis, e não havendo razão de sua colocação no aparelho. Medidas de produção foram anexadas à mesa de produção, sendo elas retiradas por completo, barateando os custos e a acessibilidade às classes C que ainda se encontravam à margem do equipamento. A segunda hipótese confirmou que as vias a vácuo não eram possíveis de congestionamento, uma vez que se proliferavam através de ondas e não de partículas. A leitura do aparelho receptor que havia alguma demora, contudo, em nenhum momento mostrou-se superior aos 2,03 segundos, muito abaixo aos vinte minutos observados na média dos atrasos. Sendo assim, a hipóteses relacionadas a direitos com a fabricação e problemas internos dos iTransports foram excluídas. Contudo a pergunta relacionada aos atrasos das pessoas que se intensificaram não foi respondida através deste estudo, senão apenas da seguinte maneira, tal como coloca Gunter Fassbender, diretor da pesquisa, em defesa da empresa: "Enquanto problemas físico do aparelho, não foram encontrados nenhum o qual justificasse os atrasos, apenas refutamos as acusações impróprias sobre um possível delay. A justificativa para tal fenômeno so nos pode ser entendida enquanto fenômeno social, e não físico, e portanto, não cabe a nos responder. Chefes, se se incomodam com os atrasos, cobrem eles dos funcionários à moda antiga e não acusem nós, profissionais sérios, ou o nosso produto. Ele é, portanto, seguro e imediato, tal como veiculamos em nossa propaganda."
Sendo assim, já passados 23 anos desde a pesquisa realizada, a resposta foi encontrada no comportamento humano, que visto sinais de novos tempos, encontrou uma inesperada resposta para o imediatismo proporcionado pelos iTransports. Os atrasos eram humanos, e as desculpas e acusações indevidas, mais ainda. As pessoas, tendo em vista a possibilidade real do deslocamento imediato, traduziram isso na famosa frase "a qualquer momento", cujo único obstáculo para o deslocamento, era a locomoção até o aparelho individual na sala de estar (em pesquisa realizada em sete países, confirmou-se que os iTransports eram colocados na sala de estar, lugar para receber visitas). Sendo assim, a qualquer momento tornou-se ao longo do tempo, a única possibilidade de futuro em oposição ao imediatismo. Uma análise do imaginário de nossos tempos que ganha extensão diante do absolutismo do imediato é justamente a reivindicação da possibilidade de um futuro, cujo propicie uma vivência mínima. Os atrasos se intensificam ao ponto de hoje, muitas pessoas tem seus iTransports em casa sem usá-los, e estão completamente isoladas de outras pessoas. O aumento assombroso, e o colapso das relações humanas são justamente o absolutismo do agora, que freiou completamente o fluxo. O fato de grande parte das populações dos mais diversos países estarem neste progressivo processo de isolamento e absolutismo da individualidade e do agora são marca de nosso tempo, cujos efeitos drásticos já podem ser vistos em conseqüências reais: 1) a crise econômica, uma vez que as pessoas não vão mais trabalhar; 2) a dominação e completa dependência do homem pela máquina; 3) a crise de alimentos, que em poucos anos, já levou a inanição várias populações, e extinguiu grande parte da América latina, continente com vocação para a pobreza; 4) a perda de línguas e idiomas, os quais muitos já são, em um período inferior a 50 anos, línguas mortas; 5) a morte dos idosos, que reduz hoje a expectativa de vida para 58 anos. A explicação encontrada é devido a rápida diferença e descontextualização daqueles da era dos automóveis, cuja vida parece ilógica e deslocada totalmente nos dias atuais; 6) a redução no número de nascimentos, que progressivamente vem sido reduzido. Numa análise nos dois últimos anos, no mundo todo, mostrou um número muito maior de mortes em oposição ao de nascimentos. Fazer um bebê implica em geral sair de casa, o que traz nada mais senão uma atualização do dilema, a qualquer momento.
Esses são os poucos fatos listados que estão relacionados à criação não menos que revolucionária que trago neste ensaio. Existe hoje alguns movimentos, que têm invadido a casa de pessoas e destruído os iTransports, contudo, os meios alternativos de deslocamentos já estão quase que extinguidos, não havendo combustível para os carros que sobraram, ou animais que sirvam de montaria. Resta nada menos que o velho caminhar, que surge como único recurso. Contudo,as ruas vazias, e ausência de portas nas casa mais novas, sendo entrada apenas possível através dos iTransports, impedem que renegados se encontrem nas ruas, senão apenas dos aparelhos, o que traz novamente o problema da corrosão do tempo cronológico, havendo a perda total de um tempo objetivo, diante da supremacia do individual. O que perdeu-se portanto, é a sensação de grupo. Se foi viver em grupo que nos caracterizou como animais mais desenvolvidos e possibilitou a evolução, deixar de sê-lo é portanto, o nosso fracasso: um fracasso coletivo e incorrigível.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Manual de Superstições I - o vôo almadiçoado da coruja
Condicional: Se uma coruja passa por alguém num raio de uma esfera de até 30 metros, estabelecendo assim contato visual e/ou auditivo, enquanto que, ao mesmo tempo em que tal contato é estabelecido, cantar, fortemente ou não, de modo que se escute ou não, algo de ruim acontecerá: 1)com você; e/ou 2)com algum familiar; e/ou 3) com algum conhecido. No entanto, a única maneira de impedir tais acontecimentos futuros prováveis é se aquele que estabelece contato com a coruja dizer para ela, ainda enquanto a enxerga e/ou a ouve: "Vai-te só!".
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Pedaço
Muitos anos depois, quando a doença já havia destruído suas memórias mais recentes, e não reconhecia com facilidade seus parentes, chorou no quarto a noite, sentindo saudade da infância, dos seus pais, de seus irmãos e de seu filho morto. Lembrou-se dele, e misturando as memórias, situou-o na mesma época de menino, quando costumava roubar doce no fiteiro, na esquina da rua de sua casa em Bairro Novo. Nesta época, de tão baixo que era, não conseguiam vê-lo através do balcão enquanto metia a mão puxando a prmeira coisa que agarrasse. Depois, disparatava na carreira, enquanto sua única preocupação era não levar tabefe de guarda ou que sua mãe descobrisse, coisa que sempre acontecia. Vez ou outra, seu filho costumava tá ali junto, se recordava, correndo com ele, dava lição ainda: "pai, você não devia fazer isso. Você também não devia comer tanto doce", e no quarto escuro, ocm lágriams entre as rugas, respondia: "eu sei, é errado, mas é que eu gosto tanto de doce". Quando chegava em casa, mãe perguntava logo onde ele arranjou dinheiro pra comprar doce, e dizia, "foi meu menino", e Jõao sempre enconbria, "é fui eu vó". Mãe não reclamava com o neto, dizia que tinha era que mimá-lo, e iam jogar bola os dois. Não se lembrava bem se tinha sido no último natal ou no aniversário do seu menino que ele deu aquela bola para ele, mas já estava gasta, e decidiu-se que fazia tempo suficiente, e que jogavam com ela a bastante tempo. João reclamava vez ou outra, "quero uma nova pai", e ele dizia, "so no seu aniversario pq eu nao tenho dinheiro, ou você pede pra mãe, ou espera eu crescer pra eu trabalhar e poder brincar", e João ficava com raiva, e fazia manha, e diminuia de tamanho. Ficou tão pequeno que desaprendeu a andar, teve que colocar fralda, e joão não falava mais nada. Anos depois, ali na escuridão ele chorou de novo, quando viu ma parede branca do quarto, o som da tv atravessando a sala junto à voz de sua senhora. Era Lalá quem trocava as fraldas de João, e nessa época ele só sabia jogar bola, e roubar doce. Quando se metia ele e seus irmãos, a correr, ou sair coletando jornal velho pra ter dinheiro, e inteirar a feria de casa, lalá ficava com mãe. Brigavam muito entre si, e depois brigavam com ele, e diziam que ele não era um bom pai, e aí ele pegava o dinheiro da feira e comprava a bola pra João, e íam brincar. Depois na rua, sempre na rua, diziam pra ter cuidado com os moleques, e depois diziam que os moleques eram eles mesmos, os dois, joão e seu pai, soltando fogos de artifício nas caixaas de correio da rua, mijando nos muros dos vizinhos que eram inimigos de vô, sempre correndo. Quando viam juntos, brincando pai e filho, quem gostava de vô, dizia, "que felicidade ver esses dois juntos, eles são inseparáveis. é tão bonito ver pai e filho tão amigos." Mas vez ou outra também diziam diferente: "Com esses dois, as ruas ficam impossíveis! Ainda mais com um pai desse!". Ele não se importava, não sabia que era pai, mas sabia que João era o filho dele. Quando falavam mais duro, diziam que ele tinha que ter mais responsabilidade, principalmente vó, que tinha que trabalhar, e ele replicava, "mas eu sou só uma criança", e tudo então fazia sentido. João não devia tá ali, ele tinha que ir emobra. "é pai, meu lugar não é aqui", concordava João com Lalá, que dizia, "ele tem que ir embora". Chorou muito, porque ele gostava muito de João, e não queria se separar dele de novo, e gritou, "me devolvam meu filho!", que da sala, se escutou o grito. E então ele tava roubando doce de novo no fiteiro, correndo ao lado de João, mas dessa vez não entraram em casa, passaram direto. Continuaram correndo. Ele tinha que algo a dizer, mas não sabia o que era. João pedia um pedaço de doce. "Já começo a gostar desse doce. Tenho uma idéia.", diza João com a boca cheia de goiabada, "Eu posso ser seu irmão, ao invés de seu filho, e aí vó cuida de mim e lalá vai embora." E ele gostava da idéia, mas sabia que não tinha como deixar de ser pai e filho. Ele apagou o sorriso, e falou, "mas você vai deixar de ser meu filho.". E ficou com medo de que não fossem mais ser tão amigos como eram, que fosse acontecer alguma coisa, que o elo pai e filho se quebrasse. Falou então: "É melhor tu ser meu pai e eu teu filho, que faço birra e não vou embora", e João ficou pensativo. Era muita responsabilidade, e ele também era pequeno, não queria ter que mandar no proprio pai. Ficaram os dois matutando enquanto a goibada era comida por eles e pelas formigas. João então falou, "não tem como, eu vou ter que ir embora." Ele ficou triste, queria João ali. "E como você vai embora?", "Eu vou morrer", respondeu. Sentiu muito medo, e pensou, que João já tava morto, as formigas também tavam comendo ele e gritou muito forte.
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